A crise é um presente
A crise é um presente
No dia 22 de novembro aconteceu a Assembléia geral da Companhia das Obras (CdO),
com o tema “A obra (de cada um) é um bem para todos”. Publicamos o texto do
presidente da Companhia das Obras, Bernhard Scholz,
publicado dias antes no site Il
Sussidiario.net
Este é um momento de dificuldade, mas também de tenacidade e de coragem.
Acontecem coisas que nos deixam boquiabertos. Nos jornais não se fala, ou se
fala pouco, mas são muitos os empreendedores que estão renunciando a seu
salário, por meses, para não comprometer a empresa e o trabalho de seus
empregados.
Outros estão investindo na empresa o seu patrimônio pessoal porque confiam,
apesar da atual situação. São empregados que dão o melhor de si para sustentar a
empresa nesta transição tormentosa. Outros tantos dedicam tempo para ajudar quem
foi atingido pela crise que nega o mínimo de atividade necessária para a
sobrevivência.
Isso que estamos vendo é uma mobilização de recursos profissionais e de energias
pessoais que não tem igual. Por isso, o cinismo de quem ainda alimenta um clima
de suspeição generalizada, em comparação com quem empreende, é simplesmente
destrutivo.
A
retomada não será um presente automático da economia global, mas será o fruto de
uma solicitude e de uma perseverança que hoje, mais do que nunca, precisa
recuperar o significado do trabalho em relação com o sentido da própria vida e
não apenas como contribuição ao PIB nacional.
Acontece redescobrir o que significa viver o próprio trabalho de forma que
responder à própria necessidade possa ser resposta também às necessidades de
todos; ou seja, a relação entre o trabalho de cada um e a necessidade de todos e
o bem comum.
É
sobre isto que falaremos durante a Assembléia Geral da CdO que acontecerá no
domingo 22 de novembro em Milão com o tema “A obra (de cada um) é um bem para
todos”.
A
retomada será o fruto maduro das tentativas de combater a crise mobilizando
novos recursos na empresa pela valorização da capacidade de cada um, sabendo
inovar e oferecer algo de novo a mercados que mudam continuamente, procurando,
tanto na Itália quanto no Exterior, novas oportunidades de desenvolvimento.
O
Matching, que acontecerá da segunda 23 à quarta 25 de novembro e que
neste ano envolverá 2200 empresas de toda a Itália e de 42 países, certamente
estará repleto desta tensão. O Matching é um evento que tem por objetivo
favorecer as relações entre empreendedores, a troca de bens e serviços entre
empresas e o conhecimento de tudo o que diz respeito à vida e ao desenvolvimento
da empresa.
Em sua recente intervenção, Alberto Quadrio Curzio reafirmava a importância de
destinar fundos para favorecer a agregação das empresas, retomando uma idéia do
ministro Tremonti que seguia nessa mesma direção. Trata-se de uma proposta
interessante a ser encarada com seriedade que – escrevia Alberto Quadrio Curzi –
“estaria alinhada com o princípio da subsidariedade, tão caro a nós, que o
Matching não apenas propõe mas põe em prática porque favorece a formação de
redes – e, por que não, com tempo com empresas maiores – sem constranger os
pequenos empreendedores a sacrificar-se mas incentivando-os a entrar para uma
agremiação que os verá mais ativos e participantes”. Durante os três dias do
Matching estão agendados 15 seminários e 50 workshops, pensados para
serem ocasião de compartilhar os conhecimentos sob o aspecto da inovação, da
internacionalização, das redes e outros temas específicos, envolvendo também o
mundo não lucrativo (beneficente/ voluntário).
O
Matching é uma praça onde tudo isto está a serviço da pessoa que trabalha
e empreende.
É
a demonstração do fato que o trabalho e o diálogo entre quem trabalha, o
sustento recíproco entre quem trabalha são os caminhos principais que lhes
permite atravessar esta fase com um realismo responsável e uma audácia
solidária.
É
uma resposta positiva à exigência de estabelecer redes, de descobrir que o outro
empreendedor pode ser um recurso, tão ou mais precioso que outros; num momento
como este, os recursos são mercadoria rara. E mais raros, ainda, são os momentos
nos quais se pode experimentar aquela positividade compartilhada que pode ser
fundamento de uma reconstrução real e da qual todos possamos nos beneficiar.
(em Il Sussudiario.net, 20 de novembro)