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Um encontro com a equipe do Meeting

Data: 12/8/2009

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Encontro que percorre um ano

 

Contagem regressiva para um dos eventos mais instigantes da Europa (e talvez do mundo). Como é organizado o que encontraremos na feira de Rímini dentro de alguns dias? Nós nos infiltramos nos bastidores para descobrir, entre imprevistos, convidados VIP e “pessoas que imploram para trabalhar de graça”

 

por Roberto Perrone

 

Piergiorgio está no terceiro andar. Tem 76 anos, mas está melhor do que qualquer um de nós, mais jovens. Como chefe de uma estação de trem, percorreu a planície da Itália, de Norte a Sul. Aposentou-se há muito pouco tempo e, agora, trabalha no arquivo de vídeo, transcreve o áudio dos encontros, e cuida de acompanhar a divulgação do Meeting nas diversas mídias. “Recebi um convite para trabalhar aqui e comecei a fazer essa experiência. Assim, posso contribuir com algo importante. Aqui, vive-se com clareza a beleza de uma amizade verdadeira.” Piergiorgio é um voluntário, isto é, um dos fundamentos desta história. O trabalho dos voluntários começa à tarde porque a responsável, Donatella Magnani, “Dodi”, dá aulas numa creche pela manhã.

Estamos em Rímini, na rua Flaminia. O estádio de futebol não fica muito longe daqui. Uma rua, ciclovias, árvores, pequenas quintas. A sede da Fundação Meeting pela Amizade entre os Povos tem três andares e os muros são brancos. Poucos degraus e começa a aventura antes da aventura, um dia no laboratório-Meeting, um dia que é longo como um ano, com a patrulha que está por trás do evento: 14 funcionários, 4 guardas civis, uma moça terceirizada, 4 ou 5 voluntários como Piergiorgio... Aqui, mas não só aqui, nasce o evento de fim de agosto. Não apenas aqui, porque com os trabalhadores deste palacete branco trabalham dezenas e dezenas de pessoas espalhadas pela Itália e pelo mundo, que começam a pensar e a discutir o título do ano seguinte quando o Meeting do ano em curso ainda nem começou. Difícil ter ideia do trabalho, porque tudo começa nestes três andares e termina num arranha-céu, construído tijolo a tijolo, até chegar a 4 mil voluntários, as 8 a 10 mostras, os espetáculos, os 6 restaurantes típicos, 8 bares, a área de lanchonetes, os encontros, as crianças, os hóspedes mais ou menos célebres, e as mais de 700 mil presenças no evento de final de agosto. Pouco antes da abertura do Meeting, um dos mais importantes encontros culturais da Europa, o palacete será completamente esvaziado e seus moradores se transferirão com os móveis para os barracões da feira, prontos para o último desafio, o mais difícil: receber os milhares de visitantes, os convidados – do Prêmio Nobel ao Primeiro Ministro italiano, do ex-premier inglês Tony Blair a Mario Calabresi, diretor do jornal Stampa –, e fazer com que tudo corra da melhor forma possível.

Mas, por enquanto, ainda trabalham no horário canônico do escritório: das 9h00 às 13h30, das 14h30 às 18h30. Em junho, durante o dia que passo aqui dentro, já se está entrando no Defcon 1, período em que se começa a trabalhar até mais tarde, por volta das 20h30, pouco antes de eliminar qualquer limite. “O Meeting é um grande liquidificador”, diz a presidente Emilia Guarnieri, a memória, não apenas histórica, mas mais que isso, do senso histórico. Ela está sempre presente. Os outros a olham e reconhecem isso. “Acho que gostam de mim, porque reconhecem que estamos tentando juntos. Um erra, o outro também, porém estamos tentando.”

O primeiro a chegar é Marco Pacelli, nome de batalha “Pacio”. Trabalhava com desenvolvimento de sistemas, na área de informática. Mas não gostava do trabalho. Era voluntário “simples”. Um passo a mais, e ei-lo aqui. Pacio cuida da manutenção dos computadores que, no decorrer do ano, se chama “manutenção ordinária”. “Dentro e fora daqui. Se o computador da presidente Emilia não funciona no sábado, eu vou até lá.” Durante o Meeting, a manutenção é extraordinária: escritores com o servidor em pane, prêmios Nobel procurando uma conexão veloz. Pacio socorre todos. Nesse momento, sua escrivaninha está lotada de agendas telefônicas e celulares de 150 pessoas. “Cada um, de ano em ano, faz sua agenda de memória. Eu conecto novamente a agenda à pessoa, assim, ela recupera o que já havia armazenado.”

Marco, Matteo e Lucia estão nos encontros. Marco Aluigi é o homem que conversa com os protagonistas. Pode contar histórias de medo, quando se espera tremendo um convidado que perdeu contato (Valentino Rossi), ou histórias divertidas como alguns telefonemas inesperados. Sem filtro: “Doutor Aluigi? Aqui é Silvio Berlusconi”. Às suas costas, fotos de pessoas que com o método “vem e vê” descobriram não apenas o Meeting, mas uma amizade. “Quem faz esta experiência, torna-se sua melhor testemunha, como a advogada americana Ann Mary Glendon. Na apresentação que fizemos em Washington usou exatamente a palavra ‘Encontro’, não Meeting, que para os americanos é uma coisa formal.” Falta Otello Cenci, o responsável pelos espetáculos, mas como foi dito, o trabalho acontece aqui e em outros lugares.

 

O TRAJE DE BANHO. Em toda parte caixas de mudança, últimos telefonemas, vidas que se cruzam. Nicoletta Castelli é responsável pelas relações públicas. Com ela, Alessia Lachi. Nicoletta esteve nas mostras e nos encontros, antes de vir para cá. Teve três filhas e cada vez que uma delas nascia, mudava de tarefa. Depois, decidiu não mudar mais. Ocupa-se das apresentações, na Itália e exterior, do relacionamento com os convidados e instituições, dos encontros mais ou menos perigosos (quem pode se encontrar com quem e quem não deve se encontrar). Aqui é organizada a recepção e todos os detalhes de hospedagem aos convidados. Aqui, dentro do possível, responde-se às exigências mais disparatadas. Como comprar um (adequado) traje de banho para um cardeal que, como o quarto do hotel não estava pronto, diante da convidativa orla de Rímini, exclamou: “Enquanto isso, vou à praia”. Aqui, tenta-se prever a personalidade do convidado. “Às vezes, reservamos um restaurante de luxo e ele prefere comer um lanche com o povo. Também há quem chega e avise: ‘chego, falo e vou embora’. E, depois, como fez o jornalista Giampaolo Pansa no ano passado, pede para ficar”.

O estranho trabalho para o Meeting faz com que se volte a estudar novamente. Foi o que aconteceu com Alessandra Vitez, do departamento de mostras, formada em Química Farmacêutica, que divide o espaço com um falso vaso grego e um verdadeiro ádio tcheco, restos de uma Mostra sobre a Primavera de Praga. Alessandra passou a estudar arte, ciências, tudo. Recebe 50 propostas de mostras por ano e deve escolher apenas entre 8 e 10 exposições. Chamam-na de “a senhora não”. Junto com a equipe de apoio e o grupo da redação (um grupo maior que se encontra a cada dois meses), procura descobrir o nexo entre o título do Meeting e a mostra proposta e, se não o encontra, ela é riscada. No dia anterior à inauguração anda pelos salões com panos e material de limpeza e tira a sujeira ou resíduos de pó dos painéis. Quando começa o Meeting, finalmente relaxa.

O Meeting faz nascer a vontade de usar as mãos, em suma, é o paraíso do fazer. Quem diz isso é Sandro Ricci, que fica no escritório do fundo à esquerda, no térreo. Quem o ajuda é sua assistente Maria Angela Matteoni, a primeira funcionária do Meeting. Há trinta anos. “Muitos dos que trabalham aqui agora, não eram nascidos. Esta experiência é uma maneira de deixar mais clara a minha vocação.” Ricci coordena os vários departamentos, cada um com orçamento próprio e autonomia: “No início, o diretor geral fazia tudo e este aspecto me faz um pouco de falta, porque aprendo tudo na prática. Agora, estou negociando com as ferrovias uma parada extraordinária dos trens na estação bem perto da feira, mas se alguma coisa não funciona, como a viabilização, eu interfiro”.

Marco Maresi, por sua vez, é o diretor comercial. Formou-se em direito, mas depois colocou o seu talento a serviço da busca de patrocinadores. Entra em contato com os parceiros, pensa nos restaurantes, na publicidade. Este é o ponto doloroso. “O dinheiro, por causa da crise, reduziu-se, mas não chega a ter os números negativos de outras realidades”. Marco viu o Meeting se transformar: “Quando eu cheguei, em dezembro de 1995, havia dois computadores. Um no escritório comercial. Chamavam-no de ‘portátil’. O outro no escritório central. Faziam fila para usá-lo”. Na sala de Roberto Gambuti, no entanto, fazem fila porque ele representa “o caixa”, desde 2005. “Cheguei em primeiro de agosto, com o bonde andando: quase tive um enfarte.” É o administrador: no final de cada ano, fecha o balanço; no final de cada dia do Meeting, faz a contabilidade. Instrui os caixas sobre as tentativas de furto, as fraudes, cobre os prejuízos. “Nossa Senhora sempre nos ajudou, especialmente com aqueles que cuidam das reservas”.

 

OBRA E DESTINO. Mas nada funcionaria sem os dois últimos departamentos que visito, quando já é noite. Porta número 1. Finalmente “Dodi” chegou. “Eu digo que este é o coração do Meeting.” O departamento dos voluntários. Donatella Magnani está aqui desde 1980, não sempre neste papel, mas com o mesmo ideal. “Percebi que me era pedido um salto, como uma disponibilidade para sair em missão.” É preciso humanidade neste setor, capacidade para falar com as pessoas, para colocar quatro mil vidas no lugar certo, fazendo-as estar bem. “Uma coisa à qual nunca me habituarei é dizer não a pessoas que suplicam para vir trabalhar de graça.”

Porta número 2. “Daqui, vejo todo o Meeting, as pessoas passam, se olham. Observo com muita curiosidade a movimentação de trabalho daqueles que estão aqui e que, em muitos casos, não são os mesmos que o começaram. Uma obra não é fruto do projeto, mas de quem a faz, e quem a faz segue a objetividade de uma tarefa. Ver isso me agrada.” Emilia Guarnieri, a presidente, afirma que eles não têm a estrutura de um empresário, mas a de um educador. Começamos com ela, terminamos com ela. As paredes do escritório da presidente são despojadas, há apenas um pequeno quadro, diante da escrivaninha. “Um presente de meu marido.” Sobre o quadro há uma frase: “Por meio daquilo que faço, agora entendo o que é o destino” (L. Giussani).

 

© Fraternidade de Comunhão e Libertação para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón