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Há
anos a Igreja Católica em São Paulo vem mantendo uma universidade que é
modelo de vivência democrática, de apoio às liberdades civis e aos direitos
humanos, de pesquisa engajada na transformação da sociedade e na luta pela
inclusão social. Este papel foi marcante no período da ditadura militar, mas
vem de uma tradição anterior a este período e que se manteve mesmo depois da
redemocratização do País.
No
período recente, a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) foi vendo sua
situação financeira se tornar cada vez mais difícil. Entre as muitas causas
podemos citar a forma como se deu a expansão do ensino superior no Brasil, a
partir principalmente da iniciativa privada, obrigando os próprios estudantes a
arcar com o custo de seus estudos; e o fato de que, nas universidades comunitárias,
a pesquisa e a extensão, apesar de serem serviços prestados a toda a
sociedade, são em grande parte financiadas, através dos salários dos
docentes, pela própria instituição – isto é, pelas mensalidades dos
alunos.
Neste
contexto, a administração acadêmica não teve condições de enfrentar com a
rapidez necessária os grandes desafios que estavam sendo postos à
sustentabilidade financeira da Universidade. Diante desta situação é
fundamental sublinhar que a PUC nunca foi para a Igreja uma fonte de receita.
Pelo contrário, a Igreja sempre se solidarizou com a Universidade em suas
dificuldades financeiras.
A
intervenção da Fundação São Paulo, ocorrida recentemente, não tem como
objetivo interferir na liberdade e na “autonomia universitária”, pois não
se quer interromper esta história de mais de meio século, na qual se destacam
a excelência da universidade e seu valor cultural e social. A demissão dos
professores baseou-se em critérios estabelecidos dentro da própria comunidade
acadêmica e não foi motivada por critérios políticos, ideológicos ou de
credo. De fato, foram demitidos também professores claramente identificados com
o mundo católico.
A
intervenção da Igreja tem como objetivo defender a própria universidade, cuja
tradição é um patrimônio não apenas dos católicos, mas da comunidade
universitária que ajudou a construir a sua história – professores, funcionários,
alunos e ex-alunos, e de toda a sociedade civil.
A
Universidade Católica desempenha e continuará a desempenhar seu papel de serviço
público a toda a sociedade. Portanto, neste momento especial por que passa a
PUC, é oportuno que o Estado também busque sustentar o trabalho que por décadas
a fio vem se desenvolvendo. Estamos aqui nos referindo à necessidade de um
financiamento da dívida pelo BNDES. Evidentemente, tal se justifica na medida
em que a administração da universidade demonstre ter condições de recuperar
seu equilíbrio financeiro. Não é adequado, contudo, que o socorro à PUC
signifique sua passagem de instituição comunitária para instituição
estatal. A história desta universidade já mostrou claramente o quanto é
importante a existência de instituições que desempenham sua função pública
com autonomia em relação à ação do Estado, de modo a poder se contrapor a
ele nos momentos em que as políticas nacionais parecem se afastar dos
interesses de toda a sociedade.
Aliás,
não se trata de reivindicar um privilégio para uma instituição em
particular, mas para todas as universidades que verdadeiramente se empenham com
um serviço comunitário, isto é, um serviço para toda a sociedade. Nesta
perspectiva, uma atenção especial deve ser dada às bolsas de estudo que
permitem o acesso a um ensino superior de qualidade a quem merece e não teria
outra maneira de usufruí-lo. Também neste ponto cabe à sociedade apoiar uma
iniciativa de inclusão social das classes mais pobres.
O atual momento da PUC é difícil e doloroso e só
poderá ser superado com o trabalho solidário e a atitude responsável; com
atenção, respeito e com a participação de todos.
Manifestamos nosso apoio à Fundação São Paulo ao
nosso Cardeal Dom Cláudio Hummes, responsáveis últimos na administração da
Universidade e também a toda a comunidade universitária da PUC que está
empenhada na superação dessa dificuldade. Convidamos toda a comunidade católica
a solidarizar-se com a PUC para que ela, em sintonia com a Igreja e com nosso
cardeal, consiga avançar como uma Universidade de grande alcance social.
Comunhão e Libertação - Comunidade Shalom -
ADCE - Focolares
Sodalício - Movimento de Vida Cristã - Renovação
Carismática
Pastoral da Família - Pastoral Universitária da
Arquidiocese de SP
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