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Puc-SP: manifesto por uma universidade católica livre, pluralista e comunitária

Data: 10/4/2006

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Há anos a Igreja Católica em São Paulo vem mantendo uma universidade que é modelo de vivência democrática, de apoio às liberdades civis e aos direitos humanos, de pesquisa engajada na transformação da sociedade e na luta pela inclusão social. Este papel foi marcante no período da ditadura militar, mas vem de uma tradição anterior a este período e que se manteve mesmo depois da redemocratização do País.

No período recente, a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) foi vendo sua situação financeira se tornar cada vez mais difícil. Entre as muitas causas podemos citar a forma como se deu a expansão do ensino superior no Brasil, a partir principalmente da iniciativa privada, obrigando os próprios estudantes a arcar com o custo de seus estudos; e o fato de que, nas universidades comunitárias, a pesquisa e a extensão, apesar de serem serviços prestados a toda a sociedade, são em grande parte financiadas, através dos salários dos docentes, pela própria instituição – isto é, pelas mensalidades dos alunos.

Neste contexto, a administração acadêmica não teve condições de enfrentar com a rapidez necessária os grandes desafios que estavam sendo postos à sustentabilidade financeira da Universidade. Diante desta situação é fundamental sublinhar que a PUC nunca foi para a Igreja uma fonte de receita. Pelo contrário, a Igreja sempre se solidarizou com a Universidade em suas dificuldades financeiras.

A intervenção da Fundação São Paulo, ocorrida recentemente, não tem como objetivo interferir na liberdade e na “autonomia universitária”, pois não se quer interromper esta história de mais de meio século, na qual se destacam a excelência da universidade e seu valor cultural e social. A demissão dos professores baseou-se em critérios estabelecidos dentro da própria comunidade acadêmica e não foi motivada por critérios políticos, ideológicos ou de credo. De fato, foram demitidos também professores claramente identificados com o mundo católico.

A intervenção da Igreja tem como objetivo defender a própria universidade, cuja tradição é um patrimônio não apenas dos católicos, mas da comunidade universitária que ajudou a construir a sua história – professores, funcionários, alunos e ex-alunos, e de toda a sociedade civil.

A Universidade Católica desempenha e continuará a desempenhar seu papel de serviço público a toda a sociedade. Portanto, neste momento especial por que passa a PUC, é oportuno que o Estado também busque sustentar o trabalho que por décadas a fio vem se desenvolvendo. Estamos aqui nos referindo à necessidade de um financiamento da dívida pelo BNDES. Evidentemente, tal se justifica na medida em que a administração da universidade demonstre ter condições de recuperar seu equilíbrio financeiro. Não é adequado, contudo, que o socorro à PUC signifique sua passagem de instituição comunitária para instituição estatal. A história desta universidade já mostrou claramente o quanto é importante a existência de instituições que desempenham sua função pública com autonomia em relação à ação do Estado, de modo a poder se contrapor a ele nos momentos em que as políticas nacionais parecem se afastar dos interesses de toda a sociedade.

Aliás, não se trata de reivindicar um privilégio para uma instituição em particular, mas para todas as universidades que verdadeiramente se empenham com um serviço comunitário, isto é, um serviço para toda a sociedade. Nesta perspectiva, uma atenção especial deve ser dada às bolsas de estudo que permitem o acesso a um ensino superior de qualidade a quem merece e não teria outra maneira de usufruí-lo. Também neste ponto cabe à sociedade apoiar uma iniciativa de inclusão social das classes mais pobres.

        O atual momento da PUC é difícil e doloroso e só poderá ser superado com o trabalho solidário e a atitude responsável; com atenção, respeito e com a participação de todos.

        Manifestamos nosso apoio à Fundação São Paulo ao nosso Cardeal Dom Cláudio Hummes, responsáveis últimos na administração da Universidade e também a toda a comunidade universitária da PUC que está empenhada na superação dessa dificuldade. Convidamos toda a comunidade católica a solidarizar-se com a PUC para que ela, em sintonia com a Igreja e com nosso cardeal, consiga avançar como uma Universidade de grande alcance social.

Comunhão e Libertação  -  Comunidade Shalom  -  ADCE  -  Focolares

Sodalício  -  Movimento de Vida Cristã  -  Renovação Carismática

Pastoral da Família   -  Pastoral Universitária da Arquidiocese de SP

para contatos: clsp@osite.com.br

© Fraternidade de Comunhão e Libertação para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón