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O
acidente com o avião da TAM é um fato que grita por significado. O desastre
desperta em nós uma exigência de resposta total que abranja todo o horizonte da
razão. Qual é, enfim, o sentido último da realidade?
A tentação para muitos é reduzir a questão à pergunta sobre quem é o culpado.
Mas não é possível pensar que a vida humana esteja apenas à mercê da fatalidade
do acaso ou do descaso de um governo! A fragilidade da vida humana nos coloca
perguntas fundamentais: “por que acontecem estas coisas?”, “qual o significado
do viver e do morrer?”. Abafar estas perguntas é renunciar à própria humanidade,
mesmo quando a resposta é misteriosa.
Quanto mais a pessoa avança na tentativa de responder a tais perguntas, tanto
mais lhes percebe a potência e tanto mais descobre a própria desproporção em
relação à resposta total. A revolta, o conformismo ou a banalidade são respostas
inadequadas e insuficientes, reflexos da passividade em que vivemos. Se não
encontramos Algo que responda a essa necessidade de resposta, nos resta apenas o
desespero.
No acidente com o avião da TAM, isto se torna gritante. Somente a hipótese de um
Deus que é amor, que é capaz de compadecer-se e acolher o ser humano em sua dor
e em sua ânsia por sentido, corresponde à estrutura original do homem. Cristo é
o único capaz de responder à nossa necessidade.
Todas as circunstâncias podem nos levar a Cristo, mesmo as mais dolorosas,
porque mesmo nelas Ele diz: “Eu posso acolher a vocês tanto na vida quanto na
morte, posso dar sentido a toda a dor que sentem, porque Eu sofri e morri por
vocês”. Assim, toda a realidade pode se tornar positiva.
Mas só a experiência de ser salvo aqui e agora, em cada momento da vida, permite
dizer: também essa realidade pode ser salva. É preciso perceber que não estamos
sozinhos, que existem amigos que podem ajudar-nos a perceber a presença de
Cristo, e que até esta tragédia pode servir para afirmar isto. Nossa amizade
abraça o mundo. Esse é o sentido da comunidade cristã.
Sem uma abertura para o mistério e uma esperança mais forte que a dor, uma
postura de respeito pela vida humana e de busca de soluções objetivas aos
problemas não se mantém, e nos perdemos em lutas políticas e favorecimentos
pessoais.
Por isso, diante do acidente a primeira coisa a fazer, como disse o Papa em seu
telegrama, é rezar pelos mortos e pedir a Deus, por intercessão de Nossa
Senhora Aparecida, pelos que estão sofrendo, para que Ele lhes dê força e
consolo. Mas é necessário também que a sociedade e o poder público garantam o
bem comum e o cuidado com a vida humana.
COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO
São Paulo - Julho de 2007