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Esta
obra de Luigi Giussani, fruto de vários encontros com personalidades do
mundo social, da política, da economia, sindicalistas e empresários,
responde também a uma exigência do contexto sócio-cultural do Brasil,
onde, muitas vezes, falta uma adequada reflexão sobre os fundamentos da
política e do bem comum na perspectiva da Doutrina Social da Igreja.
Sua
originalidade, também em relação a obras que aprofundam esta temática,
está em seu ponto de partida e em seu método. Giussani não parte
da análise de princípios abstratos que depois devem ser aplicados à
realidade, nem tampouco de perspectivas ideológicas elaboradas a partir do
poder do Estado ou do mercado; seu ponto de partida é a experiência da
pessoa e da sociedade. Trata-se de uma atenção ao “eu”, em
todos os seus fatores constitutivos, e ao seu desenvolvimento na
forma que lhe é própria, a sociedade, onde ele pode realizar-se em
toda a sua dignidade ou perder-se. (...)
Um
certo poder cultural, antes que político, ataca não apenas a resposta
cristã às perguntas fundamentais da vida, mas tenta destruir a própria
pergunta, tenta destruir o próprio coração do homem, nivelando por
baixo seus desejos de verdade e de justiça, de felicidade. Exaltam-se
certos valores morais e sociais segundo as modas do momento e nega-se a
possibilidade de realização da pessoa na sua verdade e no seu destino.
Nega-se, de fato, a possibilidade de um destino último e pleno ao qual
tende o desejo humano. No achatamento do “desejo” em tantos
desejos imediatos, determinados pela máquina do consumo, reside o
desnorteamento dos jovens e o cinismo dos adultos. Assim, o poder da
comunicação se torna instrumento para a indução cruel de determinados
desejos e para a supressão de outros. Entre estes o desejo do absoluto,
da justiça, da solidariedade. (...)
Quando
o “eu” não é escravo do Estado ou do instinto, mas vive
inteiramente sua tendência à plenitude e à totalidade, é capaz de
encontrar outras experiências e de ser criador de um justo clima de
democracia. Nesta perspectiva, o texto de Giussani indica dois meios
interessantes, que são o fundamento de qualquer ação política: o
trabalho e as obras. (...)
A
atenção à verdade do eu ao seu senso religioso cria um movimento entre
os homens desejosos de mudar a sociedade e as suas estruturas, para torná-la
digna morada para todos (segundo a verdadeira imagem da pessoa humana). O
senso religioso impele a construir obras como resposta às necessidades
concretas das pessoas e das agregações sociais. (...)
Estamos
diante de uma proposta de realismo e de esperança também para a situação
do Brasil, inquieta e dramática em razão de muitos fatores internos e
externos. Seria um bem para todos uma sociedade guiada a valorizar as
obras das pessoas e dos grupos sociais, para responder às imensas exigências
de grande parte da população, segundo os princípios da solidariedade e
da subsidiariedade. “Mais sociedade, menos Estado!”. Mais criação
a partir de baixo, da base. Não hostilidade ao Estado, mas indicar ao
Estado o horizonte último da sua atividade, que é colaborar para que o
homem caminhe rumo a seu destino.
(de
Filippo Santoro, do prefácio à edição brasileira)
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