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A
idéia fundamental de uma educação voltada para os jovens vem
do fato de que através deles se reconstrói uma sociedade; por
isso, o grande problema da sociedade é, antes de mais nada,
educar os jovens (o contrário daquilo que acontece hoje).
O
tema principal para nós, em todos os nossos discursos, é a
educação: como nos educar, em que consiste e como se
desenvolve a educação, uma educação que seja verdadeira,
ou seja, correspondente ao humano. Educação, portanto,
do humano, do original que está em nós, que em cada um
se desdobra de forma diferente, ainda que, substancial e
fundamentalmente, o coração seja sempre o mesmo. De fato, na
variedade das expressões, das culturas e dos costumes, o coração
do homem é um: o meu coração é o seu coração, e é
o mesmo coração de quem vive longe de nós, em outros países
ou continentes.
A
primeira preocupação de uma educação verdadeira e adequada
é educar o coração do homem da forma como Deus o criou.
A moral nada mais é que continuar a atitude na qual Deus cria o
homem, perante todas as coisas e na relação com elas,
originariamente.
A
nossa insistência é sobre a educação crítica: o
jovem recebe do passado por meio de um presente vivido com o
qual se depara, que lhe propõe aquele passado e lhe dá as suas
razões; mas ele deve pegar esse passado e essas razões, colocá-las
diante dos olhos, compará-las com o próprio coração e dizer: “é
verdadeiro”, “não é verdadeiro”, “duvido”.
E assim, com a ajuda de uma companhia (sem essa companhia o
homem está demasiado à mercê das tempestades do próprio coração,
no sentido ruim e instintivo do termo), pode dizer: “sim”
ou “não”. Assim fazendo, adquire a sua fisionomia de
homem.
Tivemos
muito medo dessa crítica, realmente. Ou então, quem não teve
medo dela, aplicou-a sem saber o que era, não a aplicou bem. A
crítica foi reduzida à negatividade pelo simples fato de uma
pessoa tornar problema uma coisa que lhe foi dita. Eu lhe digo
uma coisa, colocar uma interrogação a respeito dessa coisa,
perguntar-se: “é verdadeiro?”, tornou-se igual a
duvidar dela. A identidade entre problema e dúvida é o
desastre da consciência da juventude.
A
dúvida é o termo de uma indagação (provisória ou não, não
sei), mas o problema é o convite a compreender aquilo que tenho
à minha frente, a descobrir um bem novo, uma verdade nova, isto
é, a obter disso uma satisfação plena e mais madura.
Sem
um destes fatores: tradição, presente vivido que propõe
e dá as razões, crítica – como agradeço a meu
pai por ter-me acostumado a perguntar as razões de cada coisa,
quando, todas as noites antes de dormir, me repetia: “Você
deve se perguntar o porquê. Pergunte-se o porquê.” (ele
dizia isso por outros motivos!) –, o jovem é folha frágil
longe do próprio ramo (“Para onde vais?”, dizia Leopardi),
vítima do vento dominante, da sua mutabilidade, vítima da
opinião geral criada pelo poder real.
Nós
queremos – e é este o nosso objetivo – libertar
os jovens: libertar os jovens da escravidão mental, da homologação
que os torna mentalmente escravos dos outros.
(da
introdução do autor; traduzido por Neófita Oliveira e
Francesco Tremolada)
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