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Fundador
do movimento eclesial Comunhão e Libertação, presente em 70 países, o
padre Luigi Giussani dá continuidade a sua Trilogia do PerCurso, série
que pretende estudar a importância do cristianismo sob uma perspectiva
histórica, com base na razão. O segundo volume da série, Na origem da
pretensão cristã, chega agora às livrarias brasileiras. Desta vez, o
autor analisa como o acontecimento de Jesus de Nazaré se impôs à atenção
dos homens.
Giussani
começa explicando que o senso religioso faz parte da natureza do homem,
pois a busca por explicações é o que dá sentido à vida. Todos os
passos do homem são possibilitados, determinados e realizados por força
desse impulso. Sempre se atribuiu a um Deus a origem da existência, mas a
divindade é algo inalcançável, impossível de ser mensurado pela razão.
Não é fácil aderir àquilo que não se pode ver nem tocar. No entanto,
as religiões proliferam.
Teoricamente,
cada pessoa poderia criar sua própria religião, mas a figura do gênio
que reúne as aspirações de uma sociedade humana se destaca nesse papel
e tende a se tornar um marco definitivo. Todas as religiões têm em comum
a tentativa de explicar e guiar a vida. E tudo que elas têm de diferente
depende de uma infinidade de fatores, mas as diferenças não invalidam a
tentativa.
O
cristianismo existe em função de um fato histórico e suas circunstâncias:
a passagem de Jesus pela Terra. Giussani lembra que, há dois mil anos,
havia um grande número de homens que se diziam profetas e curandeiros,
mas apenas Cristo operou verdadeiros milagres. Um homem capaz de dominar a
natureza não poderia passar despercebido. Por conta disso, é razoável
apegar-se a Jesus. Primeiro houve a atração por Sua humanidade; depois,
o interesse por Sua divindade.
Entrou
definitivamente na História a encarnação do homem que era Deus, aquele
que conhece a humanidade e a quem toda a humanidade deve seguir para ter o
verdadeiro conhecimento de si e das coisas. Não poderia ser diferente. Se
Jesus realmente existiu como se diz, tudo deve girar em torno Dele. É
justamente por isso que Giussani considera compreensível que muitos
resistam ao cristianismo — a recusa acontece quando o homem não admite
deixar de ser a medida de si mesmo. E essa recusa geralmente é disfarçada
de respeito a Deus, que se crê inacessível.
O
autor:
O
padre italiano Luigi Giussani nasceu em Desio (Milão) em 1922. Realizou
seus estudos na Faculdade de Teologia de Venegono, na qual lecionou por
alguns anos, especializando-se na teologia oriental (especialmente a dos
eslavófilos), na teologia protestante americana e no aprofundamento da
motivação racional da adesão à fé e à Igreja. Na década de 1950,
deixou o seminário para lecionar no ensino fundamental e criou a
Juventude Estudantil, que mais tarde daria origem ao movimento de Comunhão
e Libertação, presidido por ele e presente em 70 países. Também é
fundador e presidente da associação eclesial Memores Domini,
igualmente reconhecida e aprovada pelo Pontifício Conselho para os
Leigos. Entre 1964 a 1990, foi titular da cadeira de Introdução à
Teologia na Universidade Católica de Milão. Em 1995, recebeu o Prêmio
Internacional de Cultura Católica. Dentre as obras de sua autoria,
destacam-se O senso de Deus e o homem moderno: a questão humana e a
novidade do cristianismo, É possível viver assim? Uma abordagem
diferente da existência cristã e O senso religioso: primeiro volume do PerCurso,
já publicados pela Editora Nova Fronteira.
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