Na Origem da Pretensão Cristã

Luigi Giussani
Ed. Nova Fronteira, Livros do Espírito Cristão
Rio de Janeiro (RJ) - 2003
pp. 160

Fundador do movimento eclesial Comunhão e Libertação, presente em 70 países, o padre Luigi Giussani dá continuidade a sua Trilogia do PerCurso, série que pretende estudar a importância do cristianismo sob uma perspectiva histórica, com base na razão. O segundo volume da série, Na origem da pretensão cristã, chega agora às livrarias brasileiras. Desta vez, o autor analisa como o acontecimento de Jesus de Nazaré se impôs à atenção dos homens.

Giussani começa explicando que o senso religioso faz parte da natureza do homem, pois a busca por explicações é o que dá sentido à vida. Todos os passos do homem são possibilitados, determinados e realizados por força desse impulso. Sempre se atribuiu a um Deus a origem da existência, mas a divindade é algo inalcançável, impossível de ser mensurado pela razão. Não é fácil aderir àquilo que não se pode ver nem tocar. No entanto, as religiões proliferam.

Teoricamente, cada pessoa poderia criar sua própria religião, mas a figura do gênio que reúne as aspirações de uma sociedade humana se destaca nesse papel e tende a se tornar um marco definitivo. Todas as religiões têm em comum a tentativa de explicar e guiar a vida. E tudo que elas têm de diferente depende de uma infinidade de fatores, mas as diferenças não invalidam a tentativa.

O cristianismo existe em função de um fato histórico e suas circunstâncias: a passagem de Jesus pela Terra. Giussani lembra que, há dois mil anos, havia um grande número de homens que se diziam profetas e curandeiros, mas apenas Cristo operou verdadeiros milagres. Um homem capaz de dominar a natureza não poderia passar despercebido. Por conta disso, é razoável apegar-se a Jesus. Primeiro houve a atração por Sua humanidade; depois, o interesse por Sua divindade.

Entrou definitivamente na História a encarnação do homem que era Deus, aquele que conhece a humanidade e a quem toda a humanidade deve seguir para ter o verdadeiro conhecimento de si e das coisas. Não poderia ser diferente. Se Jesus realmente existiu como se diz, tudo deve girar em torno Dele. É justamente por isso que Giussani considera compreensível que muitos resistam ao cristianismo — a recusa acontece quando o homem não admite deixar de ser a medida de si mesmo. E essa recusa geralmente é disfarçada de respeito a Deus, que se crê inacessível.

O autor:

O padre italiano Luigi Giussani nasceu em Desio (Milão) em 1922. Realizou seus estudos na Faculdade de Teologia de Venegono, na qual lecionou por alguns anos, especializando-se na teologia oriental (especialmente a dos eslavófilos), na teologia protestante americana e no aprofundamento da motivação racional da adesão à fé e à Igreja. Na década de 1950, deixou o seminário para lecionar no ensino fundamental e criou a Juventude Estudantil, que mais tarde daria origem ao movimento de Comunhão e Libertação, presidido por ele e presente em 70 países. Também é fundador e presidente da associação eclesial Memores Domini, igualmente reconhecida e aprovada pelo Pontifício Conselho para os Leigos. Entre 1964 a 1990, foi titular da cadeira de Introdução à Teologia na Universidade Católica de Milão. Em 1995, recebeu o Prêmio Internacional de Cultura Católica. Dentre as obras de sua autoria, destacam-se O senso de Deus e o homem moderno: a questão humana e a novidade do cristianismo, É possível viver assim? Uma abordagem diferente da existência cristã e O senso religioso: primeiro volume do PerCurso, já publicados pela Editora Nova Fronteira.

© Fraternidade de Comunhão e Libertação para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón