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Com
o presente volume, O senso religioso, inicia-se a publicação do PerCurso
de monsenhor Luigi Giussani. Publicado em três volumes, o PerCurso expõe
o conteúdo dos cursos ministrados pelo autor ao longo de mais de quarenta
anos de ensino, primeiramente como professor de religião numa escola do
ensino médio, em Milão; depois, a partir de 1964, como professor de
Introdução à Teologia na Universidade Católica de Milão. A este
primeiro volume se seguirá outro, dedicado à grande revelação pessoal
de Deus no mundo, na pessoa de Jesus Cristo (Na origem da pretensão cristã),
enquanto o terceiro e último volume se ocupará do modo como esse
acontecimento permanece presente na Igreja por todo o tempo e em cada época
(Por que a Igreja).
Na obra de monsenhor Luigi Giussani, o que
descobrimos não é simplesmente um tratado teológico em sentido técnico,
nascido da elaboração de uma teoria. Na realidade, deparamo-nos com uma
série de reflexões que, sem tirar nada do rigor e do caráter sistemático
do pensamento, nascem da preocupação educativa de monsenhor Giussani em
comunicar a razoabilidade do “Fato cristão”, precisamente por
meio da experiência da própria humanidade. (...)
Segundo o autor, a mentalidade moderna reduz a
razão a uma série de “categorias nas quais a realidade é forçada
a entrar: aquilo que não entra nessas categorias é definido como
irracional”. A razão, pelo contrário, “é como um olho
arregalado para a realidade”, que vê tudo e desse tudo apreende “os
nexos e as implicações”. A razão discorre sobre a realidade, busca
penetrar no seu significado percebido, correndo de um canto a outro,
conservando cada coisa na memória e tendendo a abraçar tudo. Por isso é
preciso haver uma verdadeira paixão pela razoabilidade.
Em O senso religioso, o autor expõe o
conceito de que a verdadeira essência da racionalidade e a raiz da consciência
humana são encontráveis no senso religioso do eu. O cristianismo se
dirige para o senso religioso justamente porque se propõe como
possibilidade imprevista (quem poderia ter previsto a morte e a ressurreição
do único Filho de Deus?) ao desejo do homem de viver buscando,
descobrindo e amando o próprio destino. (...)
Com um frescor imediato que nasce de uma intensa experiência existencial
e com uma surpreendente intensidade de reflexões, cada passo dessa obra
repropõe de modo conciso e fascinante a originalidade do acontecimento
cristão, do Deus conosco, que escolheu vir ao encontro do homem
tornando-se homem, comunicando-se ao mundo, aos homens e às mulheres de
todo tempo e lugar.
(do
prefácio do cardeal James Francis Stafford,
Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos)
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